Resenha “O som e a fúria”

O som e a fúria. É um trecho de uma frase que tá lá num dos livros do Shakespeare mas também é o nome do livro mais conhecido do Faulkner. William Faulkner. Uma vez li um artigo falando que o Faulkner admitiu ter escrito alguns de seus livros só pelo dinheiro. Querido: hoje, a gente escreve tuíte personificando a empresa que a gente trabalha como uma fulana ou um sicrano bem massa…por dinheiro. E pouco. E faz piadinhas bem ruins e interage com os seguidores pra gerar engajamento ou algo do tipo que eu não prestei muita atenção também (não me pagam pra escrever tuítes).

O som e a fúria é um livro muito legal. Gostei muito. Mas tem que ter paciência. Pra você que é fã da casquinha do sorvete de casquinha: pra chegar na parte boa tem que comer o sorvete de cima primeiro, não é? Paciência. E dá pra aproveitar também. Eu tô dizendo isso porque a primeira parte do livro é um pouco confusa, você vai se perguntar: que que esse cara tinha fumado? Não sei, mas, acredite, vai fazer sentido mais pra frente. Repete comigo: paciência.

Depois são mais três partes menos confusas, mas que, ainda assim, você precisa ficar ligado pra não se perder e desistir do livro. É que são tempos diferentes e personagens diferentes dentro de uma mesma família. Ah, e às vezes personagens diferentes têm o mesmo nome. Então fica ligado.

No geral a história é simples. O livro fala da decadência de uma família aristocrata norte-americana ao longo dos anos. E o que o Faulkner faz é mostrar como eventos aparentemente desconexos têm lá sua importância, afetam os personagens da história de formas diferentes e de como isso, consequentemente, afeta a família como um todo. O interessante é como o autor forma esse retrato a partir de narrativas diferentes (personagens, tempos, formas narrativas, etc).

Baita obra, vale a pena dar uma lida.

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A coisa mais importante da vida

Não é que não ligue pra mais nada, é que talvez todo o resto nunca tenha sido tão importante mesmo e eu só tenha percebido isso agora que você parece tanto com a coisa mais importante da vida. Mas a gente nunca pode saber bem certinho, assim como numa conta, que alguém é realmente a coisa mais importante da vida. A gente pode só imaginar que talvez seja, baseados numa série de indícios do tipo o quanto de tempo a gente fica sem pensar nessa pessoa, ou quantas vezes nos lembramos que esquecemos de perguntar pra ela qual seu sabor favorito de geleia ou mesmo se ela gosta de geleia e não se perdoar por não ter perguntado ou, pior, ter esquecido. Só assim a gente pode pensar que alguém é a coisa mais importante da vida e, mesmo assim, a gente pode, no máximo, aproveitar quietinho do lado dela e achar que é a pessoa mais sortuda do mundo todo.